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A segurança no trabalho deixou de ser uma utopia das reuniões de Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) para ser incorporada a rotina das empresas. Apesar disso, levantamentos mais criteriosos realizados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), nos últimos anos, evidenciam que, apesar do crescimento da importância dada às discussões sobre a segurança no trabalho na indústria, o tema está longe de alcançar uma solução.



Para a coordenadora do curso de pós-graduação em Saúde do Trabalhador do Centro Universitário Feevale (Novo Hamburgo/RS), Jacinta Renner, há um aumento de importância do tema dentro das fábricas. Segundo ela, para uma boa parte de empresas “pró-ativas" a segurança no trabalho é percebida como forma de investimento e não como um custo. Os acidentes são percebidos como um ônus muito grande. E a alternativa é uma constante vigilância sobre questões que possam apresentar um risco de acidente.

Ela destaca que nessas empresas, independente do porte, há uma política incorporada de gestão de saúde e segurança do trabalho. Equipes compostas por técnicos em segurança, profissionais de ergonomia, médicos, psicólogos, recursos humanos e diretoria realizam reuniões periódicas para tratar do tema, comprovando o crescimento de importância do tema. Uma gestão adequada de segurança do trabalho pode perceber potenciais pontos de acidentes, como instalações elétricas com fios desencapados, máquinas em estado precário de manutenção, falta de resguardo no uso de produtos químicos, entre outros.

Jacinta salienta, entretanto, que, para algumas empresas “reativas", a questão ainda é vista, estritamente, como uma necessidade de adequação às exigências do Ministério do Trabalho, que aumentou as fiscalizações quanto às condições de trabalho nos últimos anos. Ela ressalta que muitas empresas sentemse coagidas e dão uma resposta somente diante da fiscalização.

Outro fator que também tem motivado uma mudança na concepção do assunto dentro das empresas foi a exigência de certificações de qualidade para as exportações, como as ISO’s, que para serem obtidas necessitam de garantias de segurança no trabalho e sistemas representativos de saúde do trabalhador. “As empresas que apresentam uma política incorporada de segurança apresentam maior competitividade", frisa Jacinta.

O diretor da Escola Senai de Franca/SP, Celso Taborda, diz perceber uma tendência de aumento da preocupação do tema junto aos empresários. No entanto, a questão em aberto é o quanto o aumento do temaémotivado pelo crescimento da fiscalização e quanto é resultado de um aumento de sensibilidade para a importância do assunto. O que se percebe, entretanto, conforme Taborda, é uma diminuição no número de acidentes nas indústrias. Mesmo contratando profissionais que exerçam as atividades que visam a segurança no trabalho, cabe aos administradores e gestores envolverem- se em campanhas, participar de palestras, seminários e atividades que prezem pela saúde e segurança do trabalhador. Até mesmo como motivação aos funcionários a participação dos líderes nas atividades é positiva. “De nada adianta cobrar o uso de protetores auriculares pelos funcionários em ambientes com ruídos acima de 85 decibéis, por exemplo, se os diretores quando vão a produção não os utilizam. É preciso que a segurança aconteça em todas as instâncias", adverte Jacinta.

Segurança como investimento social

As práticas de segurança no trabalho também conferem às empresas vantagens estratégicas. Conforme o palestrante Mario Persona (Limeira/ SP) as empresas são formadas por pessoas, portanto nada mais sensato do ponto de vista empresarial do que investir naquelas que são peças essenciais no negócio. “À medida que o mercado vai ficando mais sofisticado, os clientes passam a exigir que os produtos e serviços que compram tragam no seu DNA questões que também são valorizadas nas sociedades mais sofisticadas, como segurança, saúde e meio-ambiente", afirma.

Persona lembra que uma empresa com uma política de segurança deficiente terá um índice mais elevado de acidentes do trabalho. Esse índice elevado significa maior número de colaboradores ausentes ou incapacitados de trabalhar com todo o seu potencial, o que eleva os custos operacionais da empresa. “Na busca porumcusto menor, algumas empresas cortam na qualidade sem perceber que esta não é a única variável da equação da competitividade, comprometendo a produtividade", frisa.

Este investimento social deve ser feito tendo em vista o aspecto motivacional. Mas se não existir um trabalho de comunicação bem feito no sentido de demonstrar que a empresa está investindo na carreira deles, os colaboradores enxergarão os investimentos em segurança apenas como mais um aborrecimento e cobrança da chefia.
Fonte: Notícia Publicada em:
Exclusivo On Line 27/01/2010 às 08:47
 

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